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Arnica e Babosa

Era uma dupla tão improvável quanto Sancho Pança e Dom Quixote ou, mais precisamente, Laurel & Hardy, já que o business era cinema e um era gordo e o outro era magro. Tinham cruzado seus caminhos desde tempos imemoriais e criado uma simbiose perfeita desde sempre. Ganharam os apelidos devido ao uso permanentemente contínuo de extrato de arnica, nome popular da espécie vegetal de nome científico Arnica montana, uma planta originária das montanhas da Europa e da Sibéria, utilizada há muitos séculos na medicina alternativa para o tratamento da dor e inflamação de diversas condições, e babosa, ou aloe vera, que ajuda a cuidar da beleza e da saúde e é muito conhecida por seus benefícios como efeitos calmantes, cicatrizantes, anestésicos, antitérmicos e anti-inflamatórios, além de ser ótima para hidratar cabelos e pele. Ambas as plantas receitadas por uma senhora italiana muito sábia e muito confusa, na casa dos 90 anos. 

Arnica era forte, encorpado, gordão mesmo, com uma agilidade e vitalidade de bailarino. Vivia besuntado de extrato de arnica para aliviar as dores musculares constantes. Sua presença era sentida à distância, pelo tamanho e pelo cheiro! Tinha os pés fortemente plantados no chão, lidava com as coisas práticas e os problemas de produção de um filme independente realizado no Brasil. De coração e bom humor maiores que seu corpinho de 136 quilos espalhados por 1,80 mts de altura, tinha uma gargalhada pronta e fácil para os fatos mais corriqueiros. Falante, era companhia agradável e sempre requisitada, ao mesmo tempo que era hábil nos negócios mirabolantes que sua função exigia. Conseguia pregos e sofás, bicicletas e paraquedas, figurantes e atores globais. Locações em praças, restaurantes, bibliotecas, prédios públicos e fábricas gigantescas, sempre negociando um crédito, uma aparição de destaque da mulher, da filha, ou da amante de algum figurão local. Merchandising era seu sobrenome!

Babosa era o oposto complementar. Alto, era obrigado a olhar todos de cima dos seus 2 metros de altura, magro, bonito e sonhador, galante e envolvente, tinha a habilidade de seduzir com os olhos verdes e fazer as pessoas acreditarem reais suas quimeras, comandando pela empatia, não pela força. Tinha fortes entradas no alto da testa, massageadas frequentemente pela baba da planta babosa. Para ele o cinema era a Sétima Arte, com letras maiúsculas e devaneios gigantes como castelos de areia e ilusão. Acreditava no que imaginava com a força da realidade, muitas vezes vivendo com os pés neste mundo e a cabeça no outro. As barreiras e dificuldades do cotidiano faziam parte do seu filme, da sua história, e lhe cabia conduzir a todos que o cercavam pelos cenários imaginários de suas emoções. Confiava em todos de coração, sem julgamentos ou arrependimentos, já que todos faziam parte do roteiro pré-determinado escrito na adaptação de sua mente ao mundo real. Imagem & Ação era o seu sobrenome!

Aos dois juntava-se uma trupe completa de atores, principais e coadjuvantes, diretor de fotografia, de arte, cenógrafo, continuista, assistente de produção, assistente de direção, maquiador, fotógrafo, iluminador, catering, maquinista, operador de cabo e auxiliares diversos. Ninguém recebia salário, trabalhavam para compor currículo, num sistema ad exitum, caso o filme fosse lançado comercialmente e rendesse dividendos, ou por amor à Arte. Arnica garantia hospedagem e alimentação nos hotéis e restaurantes locais em troca de gravações de cenas nos ambientes da cidade e menções honrosas nos créditos finais da película. Ele, Babosa e os atores, normalmente se hospedavam nos melhores hotéis e a equipe técnica ficava nos hotéis mais simples ou nas pensões. Essa era a maneira de fazer cinema no Brasil sem dinheiro.

O roteiro do filme, criado pelo próprio Babosa, era uma obra aberta que ia se adaptando aos cenários locais disponíveis, ao sabor do clima, do dia e da noite. Havia o momento de gravar a cena do encontro entre a mocinha e o galã que normalmente dava início a todo processo de filmagem numa localidade. Montavam o aparato com câmeras e microfones, trilhos, pedestais, cabides com figurinos, cabos e lâmpadas. Mais ou menos como levantar a lona de um circo mambembe. Cercavam a área com fitas amarelas e todos se posicionavam sob as ordens do diretor: – Atenção! Silêncio no set. Gravando…

O casal caminhava por uma rua enluarada, conversavam sorridentes trocando palavras decoradas e olhares enamorados. Ninguém emitia um som, o silêncio era estelar e a iluminação realçava a beleza do momento. O câmera acompanhava a cena com o seu equipamento deslizando sobre trilhos, empurrado, lentamente, por um ajudante agachado. Babosa olhava o resultado captado num monitor e interrompia uma e outra vez, dando conselhos e orientações carinhosos aos protagonistas, pedindo para que refizessem a tomada novamente… e novamente… e novamente…

Os moradores se aproximavam curiosos, desconfiados e depois fascinados. O que era aquilo? Era um teatro? Televisão? Não, cinema… Ficavam olhando admirados, boquiabertos, e logo a notícia corria, se espalhava como fogo em capim seco. Homens, mulheres, jovens e crianças de colo cercavam o local num alarido estridente e incontrolável. Arnica fazia valer o corpanzil e, com voz de tenor, exigia silêncio, sabendo-o impossível. A isca já havia sido engolida com anzol e tudo, e o peixe já estava no papo. Não que houvesse má intenção da parte deles. Era uma troca. Davam àquela gente um motivo de interesse, alegria e diversão, para receber acolhimento e atenção especial. 

Nem sempre eram bem recebidos! Certa vez chegaram numa localidade esquecida no norte de Minas Gerais, cansados e famintos. Montaram o set antes de fazer contato com as autoridades do município e foram interrompidos, ao iniciar os trabalhos, pelo delegado local que chegou do nada acompanhado de um sargento numa viatura de polícia, uma Chevrolet Veraneio branca e preta, diretamente saída dos anos 70! De óculos escuros, camisa listrada de golas largas e cabelo esticado de lado com algum tipo de goma oleosa e brilhante, o delegado Soares irrompeu a cena exigindo explicações. Acalmou-se quando explicaram o que faziam ali e, inclusive, incluiriam a ambos, o Soares e o sargento Bororó, na cena de ação que acabava de ser incorporada no roteiro e seria filmada naquele exato momento. Fizeram parte das filmagens naqueles dias também o Prefeito Apolinário, a primeira dama Risoleta e suas duas filhas, Mariluce e Ritaluce, o Padre Anésio e dois coroinhas, 4 beatas e, ainda, três bêbados no papel de bandidos. Hospedaram-se espalhados por todo vilarejo, na prefeitura, na igreja, no jornal de oposição local e no estábulo municipal, de acordo com a hierarquia da equipe.

Repetiam o processo a cada cidade, colhendo cenas de amor, paixão, ódio e vingança nos ambientes mais diversos e inusitados. Ruas e ladeiras, lojas de grifes e hospitais. Nos rios e cachoeiras, nas fazendas, ordenhando o leite ou colhendo o café. Usavam diversos sotaques e línguas, num painel cultural que contemplava todos os povos. Gravavam cenas de dança de salão em restaurantes com música ambiente. O conjunto, os garçons e os clientes faziam papel de figurantes, todos animadíssimos com a possibilidade de aparecer na tela gigante dos cinemas do país e, quem sabe, do mundo! Nesses momentos, todos comiam, bebiam e brindavam ao filme e aos prêmios nacionais e internacionais que ganharia. Gramado, Berlim, Cannes, o Oscar… Não havia limite para as possibilidades de sonho que estavam tornando vivas ali, naquele pedaço abençoado de mundo, com a colaboração de todos.

No fim dos trabalhos, despediam-se de todos, muitas vezes com discursos acalorados e bandas de música. Saíam da cidade com o carro e a camionete carregados de equipamentos e presentes, comida e bebidas, galinhas e ovos, queijos e linguiças. Ganhavam frutas e espigas de milho, cocadas e doces de leite, pães, broas e bolos, compotas e leite de cabra. E pinga, muita pinga, porque o interior do Brasil é movido a álcool, energia limpa e renovável. Deixavam para trás boas lembranças, paixões e amores, vez ou outra um filho. Seguiam adiante na direção que soprava o vento e o sol se punha, para retomar a rotina na próxima cidade, gravando cenas e mais cenas sem fim, com personagens de carne e osso, feitos de sonhos reais e esquecidos. Filmando onde houvesse uma praça, um coreto ou uma estória de amor, com uma pitada de mistério.

CaMaSa

Sorte

Sorte

 

Agradeço tive sorte extrema sorte 

nas horas ruins vi pessoas certas

nos momentos duros frios escuros

encontrei paixão dor e amor 

amigos vazios e nossas tristezas 

e dos inimigos de grande valor 

aprendi o que tinham para ensinar 

 

Tive sorte a sorte de um menino 

quando encontra luz pelo caminho 

a lâmpada ilumina o próximo passo 

esfregada concede um só desejo 

dinheiro poder fama sucesso glória 

escolhi o maior de todos desafios 

o conhecimento de mim mesmo 

 

Do alto da minha insignificância 

sei de onde vim o que sou onde vou

isso é o que sei e isso não é pouco 

finja que não entende o que digo

é mais fácil diga que estou louco 

uma gota rumo ao oceano amigo 

será lá que iremos nos encontrar

CaMaSa

Vício

Vício

 

Confesso, eu sou um viciado 

já não vivo sem doses diárias 

encontradas em local secreto 

na profundeza do meu peito 

 

São drogas muito poderosas

me levam para outros mundos

lindos como perfume de rosas

em viagens de três segundos

 

Eu mesmo encontro e fabrico

quem ensinou muito conhece

mas não dou vendo ou trafico 

servem para consumo próprio

 

Quanto mais utilizo mais gosto 

inspiro expiro a cada momento

consciência paz amor felicidade 

são as drogas do conhecimento

CaMaSa

Linda

Linda era todas as mulheres e todas as mulheres eram Lindas.

Linda não era linda. Também não era feia. Era uma moça normal com seus encantos. Não era gorda nem magra, alta nem baixa, rica nem pobre, nem muito jovem nem muito velha. Não tinha sorte no amor, nem no jogo, mas tinha o dom de trabalhar de graça como ninguém mais neste mundo! Passava seu tempo em atividades e serviços voluntários virtuais. Arrecadação de fundos para a reforma da pracinha do bairro, sopão para moradores de rua e convidados, com direito a banho e tosa dos pets, coral de igreja e bingo beneficente. Organizava arrecadação de fundos para creches, escolas e hospitais. Cuidava da logística para coleta de roupas, comida e produtos de higiene. Nada pessoal e analógico. Ela era, na maior parte do tempo, virtual. Do mundo tecnológico dos blogs e redes sociais vinha sua interação com as pessoas.

Os pais preocupavam-se mas, filha única que era e cheia de personalidade, fazia somente o que bem entendia e queria. Nada de negativo porém, que pudesse causar algum problema ou constrangimento, afinal tivera uma sólida formação familiar. Era só o fato de tudo ser virtual mesmo. Depois da escola elementar, 1º e 2º graus, nada de faculdade ou cursos presenciais. Fez cursos de História, Letras, Acupuntura, Informática, Bolos decorados, Psicologia animal e Jornalismo, todos virtuais. Aprendeu Patchwork com sacos plásticos, Artesanato tupi-guarani com plumas de galinha, pomba e peru, construção de computadores pessoais, tablets e smartphones com sobras de televisores e rádios de pilha, além de plantação de milho, feijão e cana-de-açúcar em copos descartáveis e garrafas pet. Formou-se Doutora Honoris Causa em Direito internacional dos ruivos nascidos no Afeganistão, churrasqueiros da província de Karnataka na Índia e fãs dos Beatles na Coréia do Norte. Muitas das causas defendidas não tinham aplicação prática alguma, mas sua capacidade nessas áreas era impressionante! Fez faculdade de Medicina Ortomolecular Psiquiátrica Nervo-ósseo-muscular virtual, especializando-se em operações cranianas à distância através de celular analógico. Não encontrou, até o momento, paciente que aceitasse realizar uma auto-operação recebendo as instruções através do seu Startac Motorola! 

Teve algumas paixões juvenis na adolescência sem maiores consequências. Tinha queda pelos fracos, oprimidos e desajustados. Apaixonou-se, platonicamente, pelo Alípio, filho da professora de matemática, que era usado pelos meninos da classe como apagador de lousa. Ele chegava na sala de braço dado com a mãe, com o blusão azul marinho do colégio brilhante de limpeza. Era magro e franzino, tinha o nariz adunco realçado pela cara fina, os cabelos lisos e loiros divididos ao meio e os olhos assustados como de um passarinho. No fim da aula, o quadro estava exaustivamente preenchido a giz por problemas que deveriam ser entregues resolvidos no dia seguinte. Irados, os garotos descontavam a frustração no pobre Alípio, que era erguido de ponta cabeça por meia dúzia de colegas e esfregado sem dó por todo quadro negro. A lousa ficava limpinha e seu blusão branquinho de pó! Linda não saia para o recreio e ficava com ele, em silêncio, batendo o giz do blusão. Olhava em seus olhos verdes, tristes e úmidos, e lia a alma de outro ser humano como ela, carente de atenção e carinho. A paixão terminou quando a professora foi transferida para outra cidade e levou junto seu filho.

Assim era Linda, um pouco como eu, um pouco como você, um pouco como todas as moças sonhadoras. Mais adulta, sem amigas reais de verdade, era um sucesso nas redes sociais! Triste e introvertida no trato pessoal, era divertida e expansiva no Twitter, no Facebook e no Instagram, no YouTube. Fazia amizade facilmente, seguia e era seguida por uma legião de colegas virtuais. Não fazia disso um meio de ganhar prestígio ou dinheiro, apenas buscava ajudar, ensinar, aprender e fazer amigos. Evitava política, polêmicas e chatos, que bloqueava sem perdão. Participava de enquetes e concursos, divulgava produtos de boa qualidade que tivesse testado e aprovado. Virou uma referência para quem quisesse comprar uma roupa, um sapato, um celular, um relógio ou um bom vinho. Um like seu num livro ou numa marca de iogurte significava milhares de vendas a mais. Um comentário negativo sobre uma loja virtual, por atraso na entrega de um produto ou pela baixa qualidade do atendimento via chat, exigiria desculpas pessoais dos proprietários das empresas e readequação das áreas problemáticas. Nem ela entendia como havia chegado a esse nível de influência, mas ocupava-se de todos os detalhes com extrema eficiência e responsabilidade.

Suas muitas amigas virtuais a procuravam para receber dicas variadas de moda e maquiagem, filmes, teatro e restaurantes, points para ver e ser vista. Tratava todas com muito carinho e atenção, jamais repetindo um modelo de vestido de festa ou a indicação de um bom partido para mais de uma futura esposa. Tornou-se tão entendida de casamentos e cerimônias que passou a ser consultada pelos noivos, futuros maridos, também. E foi assim que conheceu Bello e conheceu o amor.

Bello era extremamente belo e tinha a beleza extraordinária amplificada pelas redes sociais. Saia bem na foto, no filme, no sol ou na chuva, de jeans, de terno, de sunga. Malhava na academia particular de sua casa, brotando gotas de suor brilhantes sobre a pele bronzeada. Nadava na raia olímpica de sua piscina particular e se deixava admirar através das câmeras de vídeo espalhadas por pontos estratégicos de sua mansão nos jardins. Único herdeiro de 36% do maior banco particular do país, tinha a totalidade de suas necessidades atendidas pelo que havia de mais avançado em tecnologia. Não saía de casa por motivo algum, encomendando comida e bebida, roupas e acessórios, qualquer coisa que necessitasse online, inclusive serviços de qualquer espécie. Vivia completamente satisfeito em sua reclusão, até que conheceu Linda e conheceu o amor.

Duas pessoas tão especiais não viveriam uma paixão como eu e você, e a maioria dos mortais. Conheceram-se meio por acaso, navegando entre um tweet e uma selfie, um like e um share, até que de repente rolou um direct… 

Sem expectativas de início, logo se perceberam muito iguais em vários sentidos. Os emoticons foram evoluindo rapidamente de um simples positivo para risadas e gargalhadas até que, virada toda uma noite, despediram-se com corações vermelhos. Marcaram um encontro, virtual, para aquele mesmo dia, à noite, e passaram longas horas de apreensão pontuadas por mensagens dispersas aqui e acolá ao longo de toda manhã e tarde. Quando retomaram o bate-papo sentiam-se velhos conhecidos de grande intimidade. Com o passar dos dias foram se aproximando cada vez mais, até que resolveram assumir a relação para o mundo. Foi um tremendo burburinho nas redes sociais, com 90% exultantes com a união de sonho dos dois ícones virtuais, e 90% vertendo rios de lágrimas pela perda de partidos tão interessantes e tops. 

O casal passou a fazer tudo junto, cada um diante do seu iPhone, seu MacBook ou seu iMac. Cada um em sua casa, pois o que realmente os atraía tão intensamente era a certeza de que seguiriam virtualmente suas vidas, agora um em companhia do outro. Liam notícias e livros, assistiam filmes e séries, comiam pratos especiais acompanhados de bons vinhos, sempre próximos mas separadamente. Passavam noites inteiras se amando, ora loucamente com urgência e sofreguidão, ora mansamente com carinho e paixão, conduzindo um ao outro pelos seus corpos, com total conhecimento da necessidade e carência de cada um. Quem mais neste mundo poderia estar vivendo uma relação tão profunda e perfeita? 

O pedido de casamento era inevitável e aconteceu da forma mais romântica e ao mesmo tempo mais festejada. Foi um acontecimento de proporções tsunâmicas, abalando as estruturas das redes. Top trends do Twitter com milhões de retweets, tirou do ar o Face e travou o YouTube. Bello escolheu seu melhor ângulo, dividiu a tela com Linda, e transmitiu a nota fiscal do anel de brilhantes pelo WhatsApp. Mas infelizmente o matrimônio ficou só no pedido! Descobriu-se que Bello era fake, não existia no mundo real, era só uma invenção de um garoto de treze anos…

Linda despencou. No Face, no Insta, no Twitter, no YouTube… se ainda existisse Orkut tinha caído em desgraça também! Entrou em depressão mas não encontrou ajuda virtual. Sem o otimismo radiante perdeu o crédito junto aos anunciantes e seguidores. Aos poucos foi se desligando dos aparelhos de comunicação e começou a fazer coisas simples que há muito não fazia. Tomou um café da manhã com os pais, passou manteiga no pãozinho quente e sentiu o cheiro bom de suco de laranja espremida na hora, ouviu a algazarra de maritacas verdes voando em bandos, apitos e buzinas ao longe. 

Sentiu vontade de sair para a rua, caminhar e espairecer. Não andou nem dez metros e distraída deu um baita encontrão num rapaz que vinha em sua direção. Ele a segurou pelos braços, era alto, forte e musculoso, e ela se sentiu cômoda naquela situação. Quando o encarou, pronta para se desculpar, reconheceu os olhos verdes de Alípio imediatamente. Ele também a reconheceu e, com os olhos cheios de uma alegria contagiante, disse-lhe que há tempos estava à sua procura e que tinha muitas coisas para lhe falar…

CaMaSa

Senhor

Senhor

 

Senhor eu agradeço

 

por receber mais que mereço

por me mostrar a paz

mesmo eu sendo tão incapaz

por ensinar o que é sem preço

por me mostrar a clareza

ela é em mim a maior riqueza

por estes versos que eu teço

por me mostrar a bondade

ela é a ponte para a felicidade

por tudo que eu de ti conheço

por me mostrar a compaixão

finito e infinito em perfeita união

 

Senhor Senhora Energia

Inominável Tudo ou Nada 

eu agradeço

por este pedaço de história 

onde pude ver toda tua glória

CaMaSa