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O Crime da Irmã Amara

Roubil

Esta é uma estória do tempo em que as fofocas eram ditas a boca pequena, ainda não existia internet e redes sociais, e as pessoas, entre as quais padres e freiras, não podiam amar livremente. Ela é, como sempre, baseada em trechos de conversas interrompidas, sem conclusão, um ou outro nome meio esquecido, uma ou outra palavra perdida nos vãos da memória e da confusão. Ouvindo essas coisas entro numa espécie de transe, ouço atento nem pisco, olho a pessoa mas já não estou lá. Vejo-me entre os personagens descritos, vagueio entre eles sentindo seu cheiro, seu gosto e suas cores. Claro que trocarei os nomes dos envolvidos, nossa freira não se chamava Amara e, pelo contrário, ela era muito doce e gentil. 

O colégio, palco do nosso drama, também não se chamava Colégio Divino Coração em Chamas e para ser o mais verossímil possível, digo que se localizava em São Paulo, em bairro nobre e elegante. Pelos extensos corredores de ladrilhos hidráulicos absurdamente limpos, polidos e brilhantes, circulavam diariamente alunos, professores, serventes e funcionários da administração, todos e tudo regidos com mão de ferro pelas freiras Marianas. Cada setor da escola, da biblioteca ao jardim, tinha uma irmã responsável pelo gerenciamento das atividades de cada funcionário contratado e nada fugia desse controle. Lâmpadas, fechaduras, carteiras, bancos, lousas sempre limpas para as aulas do dia seguinte, com a quantidade exata de giz a ser usado de acordo com a matéria, exaustivamente preparada pelos professores e supervisionada pela freira encarregada da correspondente disciplina. Os fundamentos cristãos eram cuidadosamente inseridos nos conceitos científicos, permeando todas as disciplinas, da Matemática à Língua Portuguesa, da História à Geografia, da Física à Química, do Francês ao Latim. Isso não desmerece tais fundamentos, vez que são aplicados por seres humanos humanos sujeitos a erros como qualquer um, ainda que freiras. Errare humanum est, perseverare autem diabolicum!

Entre erros e acertos (milhares de acertos para pouquíssimos erros), dedicavam-se aos serviços na Secretaria do colégio, duas jovens irmãs recém-casadas, cujos filhos Laís, Pedro e Paulo, de Ana, e Rita e Lúcia, de Joana, puderam frequentar uma escola de tão alta qualidade, devido ao trabalho das mães. Ana deslocava-se com seu Fusquinha pela cidade aos primeiros raios do Sol, levando consigo as cinco crianças. Uma escadinha de 10, 9, 7, 6 e 5 anos. Começava o trabalho às seis horas da manhã e terminava o turno ao meio dia. Ana deixava o carro para Joana e voltava de condução. Sua irmã dava início então, indo até às seis da tarde e voltava para casa com as crianças que passavam o dia na escola, entre aulas, estudos, tarefas e períodos de inatividade. Num desses períodos ociosos, o pequeno Paulinho, arteiro da planta dos pés até a ponta dos cabelos loiríssimos, quase platinados, deixou irmãos e primas estudando na biblioteca com a desculpa que ia ao banheiro. Seguiu pelo corredor vazio, desceu as escadas e foi em direção ao imenso jardim interno, nos fundos do colégio. Gostava de vaguear entre as árvores frutíferas do pomar, caçando mangas maduras no pé. Avistou uma amarelinha no alto da copa e trepou rapidamente por entre os galhos. O fruto soltou fácil, com um leve puxãozinho. Deu a primeira dentada e puxou a casca com os dentes, sentido o perfume delicioso exalado. Nesse exato momento ouviu um barulho. Passos e vozes aproximaram-se afobados do tronco da mangueira. O menino ficou em silêncio, prendeu a respiração para não ser descoberto. Reconheceu a irmã Rosinha, seguida pelo motorista da escola, o Tobias. Os dois se abraçaram bem abaixo do garoto estupefato, agora de olhos arregalados. Quando os amantes se beijaram, suas mãos perderam as forças e a manga escorregou entre os seus dedos, indo se estatelar na cabeça do motorista!

Tobias nem teve tempo de levar a mão à cabeça. Paulinho perdeu o equilíbrio e caiu por cima do pobre, rolando os dois pelo chão. Não se sabia dizer qual dos três estava mais surpreso e assustado. O menino pela confusão, a freira pelo constrangimento ou o motorista que pensava estar sendo punido por Deus! O casal, refeito do susto, encontrou uma rápida solução. Ralharam com a criança, ameaçando-o com o castigo divino caso ele falasse com alguém sobre coisas que ele imaginava ter visto e, por trepar em árvores pondo a vida dos outros em perigo, seria trancado no barraco de ferramentas da irmã Amara, responsável pelo jardim. E lá ficou o garoto trancado no escuro, sozinho, com medo e arrependido de ter visto coisas que não compreendia e não deveria ter visto. 

Joana procurou o sobrinho por todo o colégio com o auxílio dos demais funcionários e freiras, até que finalmente chegaram ao pequeno depósito de ferramentas. Abriram a porta que estava trancada por fora com um simples trinco e encontraram Paulinho sentado no chão, o rosto entre as pernas, chorando baixinho. O menino não falava nada, estava completamente mudo, sem explicar como havia sido trancado lá. A tia concluiu que ele havia feito alguma traquinagem e a irmã Amara castigou seu sobrinho, trancando-o no pequeno galpão. Procurou a freira para saber o que havia se passado, mas soube que ela e a irmã Rosinha haviam sido levadas pelo motorista Tobias ao Mappin, no centro da cidade, para fazer algumas compras. Reuniu a criançada, embarcou todos no Fusquinha e voltou para casa ao encontro da irmã. Resumiu em poucas palavras o que havia ocorrido e entregou o garoto aos cuidados da mãe. 

Ana não conseguiu arrancar explicação alguma do filho e prometeu que no dia seguinte tiraria essa história a limpo. Não conseguia pregar os olhos. O que mais lhe doía era a traição. Amava a irmã Amara, sempre carinhosa com as crianças, sempre disposta a ajudar, amiga e verdadeira, uma grande inspiração. Como ela podia ter feito isso? Passou a noite acordada pensando no que diria à freira. Acusaria, ofenderia e ameaçaria ir à polícia. Não foi necessário. Ao acordar no dia seguinte, encontrou o marido imóvel, xícara de café suspensa no ar, diante da televisão. O jornal da manhã noticiava o caso da freira que na tarde anterior havia sido presa por furto no Mappin. Ela havia sido pega roubando uma calcinha, escondida em seu hábito. Era a irmã Amara!

* * *

Naquela tarde, depois de trancarem o menino no galpão de madeira, Tobias e a irmã Rosinha encontraram a irmã Amara em frente ao colégio. As duas foram encarregadas de comprar toalhas e guardanapos de linho para a mesa de jantar do restaurante oficial, reservado a visitantes ilustres. Irmã Amara sentou-se no banco da frente ao lado do motorista e não percebeu quando este e a noviça de vinte e poucos anos, metade de sua idade, trocavam olhares apaixonados e suspeitos. Eles haviam decidido, em parte pela tensão ocorrida horas antes, em parte porque a paixão já não cabia em seus corações, fugir para o Rio de Janeiro e dar início a uma nova vida juntos. Rosinha sentia vergonha de consumar seu amor pela primeira vez, usando calcinhas largas e puídas de linho grosso que compunham a vestimenta das freiras. Imaginou entregar-se desnuda, mas considerou isso um pecado. Circulando pela loja, ao passar pela seção de moda feminina, pegou uma calcinha vermelha de rendas e, temendo ser vista, enfiou rapidamente no bolso da companheira sem que essa percebesse.

Flagrada, assustada e absolutamente inocente, sem entender o que estava acontecendo, irmã Amara foi fichada e condenada, sendo preciso a intervenção de advogados da arquidiocese paulistana para liberá-la da prisão. Foi transferida para uma pequena e desconhecida diocese no interior do Estado, no meio de uma enorme fazenda, onde pôde cuidar de plantas e flores. Quanto a Rosinha e Tobias, tiveram seis filhos, seguindo fielmente o preceito cristão: “Crescei e multiplicai-vos”.

CaMaSa

Ladrões

Roubil

A dor da fome é cruel. Não estou falando da inanição, que tira todo ânimo e te derruba no chão, sem forças para lutar. Falo da fome que ronca dolorida no estômago, amaldiçoa a existência e te faz um ladrão. Ele perambulava pela vida há pelo menos trinta e poucos anos, pisara terras roxas, secas, agrestes e espinhosas, os macacos de pedra, os cimentos e os asfaltos escuros de todo este país. Já não tinha mais laços, família e amigos, nem nome ou identidade. Era só um fantasma em forma de gente, um conjunto de ossos forrado por uma pele fina, queimada de Sol e lavada de chuva. Os vira-latas famintos das ruas, com os quais disputava os restos de comida nos lixos, tinham mais carne e gordura que ele.

Não cabe aqui sua história explicando os erros que o trouxeram até aqui. Talvez tenha sido somente um, grande o bastante para afogar-se na culpa sem fim, sem volta e sem perdão. Aqui estava, cumprindo seu destino, diante dessa casa bonita, de sonho, do outro lado da rua, com cerca pintada, gramado verdinho pincelado com flores coloridas, amores-perfeitos lindos de viver. De vez em quando, passando pelas vitrines das lojas, via nas telas das televisões casas como aquela, cheias de vida, felicidade e comida. Nessas horas sua boca aguava de vontade, babando a cada prato fumegante de sopa, macarrão com molho de tomate e queijo, arroz com feijão e bifes, grossos, macios e acebolados.

Notou um movimento na entrada da casa, a porta da frente se abriu e dela saíram o pai e a mãe, um casal de filhos pequenos loiros e rechonchudos e um cãozinho branquinho como a neve saltitando entre as crianças. Os pais carregavam malas, maletas e sacolas e colocavam tudo no porta-malas do carro. Acomodaram as crianças e o cachorro no banco traseiro, a mãe sentou-se no banco do passageiro enquanto o pai verificava as trancas das portas e janelas. Quando deu-se por satisfeito, assumiu o volante e partiu com a família sem olhar para trás.

Ele observou tudo à distância, longe, em seus pensamentos de tristeza e desolação. Aos poucos voltou ao seu mundo concreto e físico, com suas entranhas clamando por uma solução. A necessidade, mãe da invenção, lhe trouxe uma ideia esquisita e arriscada de pura tentação. Viu a casa vazia de gente, de vida e de donos, à sua disposição. Deu passos indecisos em sua direção, pulou a cerca baixinha, rodeou pelo corredor lateral até o quintal no fundo e quebrou o vidro da porta com um soco. Com a mão sangrando o sangue ralo abriu o trinco interno da porta e entrou pela cozinha ampla e perfumada de limpeza e frutas. Atacou ferozmente uma banana ainda verde, quase sem tirar-lhe a roupa. Chupou uma laranja e, na sequência, uma manga fiapenta. Mas a fome não aplacava. Acalmava mas não passava.

Olhou para a caixa branca enorme que ronronava baixinho. Puxou a alça da porta lentamente e sentiu o bafo frio de encontro ao seu rosto. Viu uma grande fartura de verduras e legumes, potes diversos e garrafas variadas. Estava cheia. Ele poderia passar um ano com o que tinha ali. Abriu o freezer e olhou para os potes de sorvete encantado. Percebeu um saco transparente envolvendo uma massa vermelha escura. Era carne. Retirou sem pensar o pacote da geladeira e colocou sob a água corrente da torneira da pia. Deixou-a ali até que aquele pedaço de carne, dura como uma pedra, amolecesse devagarinho e voltasse a ser macia. Pingava sangue! Ou ainda era de suas mãos que o fluido vital escorria? Não sabia. Só conseguia pensar no bife. E nas cebolas douradas que o acompanhariam. Procurou nos armários e gabinetes da cozinha alguma panela. Encontrou uma frigideira grande, bonita, marcada por milhares de frituras saborosas que alimentaram aquela família. Cortou duas cebolas em rodelas, picou dois dentes de alho, deitou fios de óleo sobre a frigideira vazia em cima de uma boca do fogão, deixou que esquentasse um pouco, jogou um bife enorme dentro. A carne gritou em contato com a chapa quente. Shhhh… Espalhou a cebola por cima da carne, salpicou sal branquinho e deixou-se invadir pelo aroma saboroso daquela combinação perfeita.

Apesar da urgência dessa fome implacável, teve tempo de raciocinar e concluir que aquilo era uma refeição e, como tal, merecia mesa posta, louças e talheres. Sacou um prato colorido e colocou sobre um guardanapo em cima da mesa ao lado de uma caneca de plástico. Encheu a caneca com um suco de uva encontrado na geladeira e despejou todo o conteúdo da frigideira, bem mal passado, no seu prato. Aspirou o perfume delicioso com imenso prazer, de olhos fechados, lembrando o tempo em que tinha um nome, amor e família. Cortou o primeiro naco de carne, espetou seu garfo e juntou pedaços de cebola, levando com cuidado até sua boca. Na primeira mordida, ouviu um barulho duro, metálico. Era a chave girando na fechadura da porta de entrada, logo depois o estalo da maçaneta e uma voz retumbante e assustadora gritando:

– Só um minuto querida! Vou confirmar se o fogão está apagado e retomamos a viagem.

Não condeno. Minha formação permite julgar, avaliar e pensar de maneira crítica, mas não condenar. Isso só pode ser feito quando calçamos os sapatos de alguém e vivenciamos sua experiência. Neste caso especificamente, tínhamos novíssimas botas de couro marrom com solas grossas de borracha de um lado, e um pé de sandália de tiras, muito gasta e ralada, do outro. Talvez porque no fundo no fundo, somos ainda animais selvagens cobertos por uma fina camada de verniz social, ou porque um pai de família, protetor dos seus, ao ver-se tomado de tamanha surpresa e atingido por uma forte descarga de adrenalina, parte para cima do inimigo perigosíssimo, franzino, esquelético e com a metade do seu peso, com tanta fúria ódio e descontrole que, ao arrastá-lo para fora de sua casa, coberto de socos e pontapés, não se dê conta, alguns momentos depois, que a multidão que acorreu ao local por causa dos gritos, batia sem parar naquele corpo inerte, já sem ar nos pulmões, com um estranho sorriso de felicidade na face encovada.

* * *

Naquele mesmo instante, saía para comemorar com a família e amigos, um ex-dirigente condenado por corrupção, libertado pelo saber jurídico e minúcias legais as quais somente os muito ricos e endinheirados têm acesso. Em um restaurante chique em Nova York, discutiam entre pratos caríssimos e vinhos de cinco dígitos, seu retorno triunfal à vida pública. Sentados à mesa com ternos bem cortados e camisas de linho brancas, de colarinhos sob medida, pavimentaram um futuro brilhante, com um discurso focado na defesa dos pobres e despossuídos, daqueles infelizes coitados que vagueiam pelas ruas do país sem ter o que comer e anseiam por um salvador que lhes dê o peixe, mas sem ensinar a pescar. Afinal, isso é muito perigoso, pois dessa forma eles podem sentir-se livres, com direito a escolher e pensar.

CaMaSa

Capitolo 6: La fine dell’inizio

Ci sono parti della storia e situazioni che non rientrano in una narrazione, a causa dei loro aspetti psicologici, complessità e drammaticità. Questo è stato il caso di mia madre che ha lasciato la sua piccola città natale con le sue due figlie. C’è molto dolore nel mondo, per quanto uno sia in grado di sopportarlo o meno. Forse ci sono dolori insopportabili, ma quello era uno con cui avrebbe dovuto convivere e, se possibile, da cui avrebbe dovuto imparare. Niente di tutto questo, naturalmente, era evidente a lei in quel momento, che navigava come la nave che la portava in America, triste, obbediente e monotona. Intorpiditi, con gli occhi aperti solo per vedere le ragazze e non perderle nemmeno per un secondo. Ma ha dormito sveglia in un sogno profondo e privo di significato.

Quando la nave guidata dai rimorchiatori colpì con un leggero tonfo le murate del porto, trasalì come uno scosso nel bel mezzo di una siesta pomeridiana e sorrise, imbarazzato, per essere stato colto in flagrante. Fece un respiro profondo, si alzò debolmente, per la mancanza di cibo che le aveva imposto, raccolse le sue cose, i bambini, e guardò per la prima volta la nuova terra che l’accoglieva. Prima di scendere le scale, allungò il collo verso il gran numero di persone ammassate sul pavimento, cercando di trovare un volto familiare. Non ha visto nessuno!

Ma c’erano dei conoscenti laggiù che li aspettavano. Mio padre ei tre cugini di mia madre: Pasquale, Nicola e Domenico, che all’epoca faceva il tassista. I quattro stavano in agguato ansiosi, fumando a lungo. La folla faceva un rumore infernale di voci, urla e lacrime. Ci furono riunioni e addii infiniti, un’ondata di emozioni che fece salire e scendere la gigantesca nave. Gesticolavano nel tentativo di farsi capire ma era quasi impossibile, tanta era la gente presente. Mio zio Pasquale ebbe l’impressione di vederli scendere le scale e, con il suo grosso corpo che misurava oltre 1,90 me pesava 140 kg, si fece strada tra la folla, seguito dagli altri tre. Raggiunsero il bordo del molo e videro mia madre, le figlie, due valigie e due grossi fagotti di stoffa. Mio padre si è congelato!

Mia madre scendeva spaventata per le scale pericolose e traballanti, armeggiando con le due ragazze e i loro bagagli. I passeggeri affollati si spintonavano l’un l’altro con impazienza, ansiosi di superare il calvario. Una signora, pochi gradini più in basso, è inciampata e si è scontrata con due uomini davanti a lei, facendo cadere in acqua una piccola valigia. Cominciò a piangere e imprecare, maledicendo il suo destino, la sua vita e la sua morte! Due marinai a terra hanno cercato di aiutare, cercando di issare la valigia con canne di bambù con ganci metallici alle estremità. In mezzo alle scale, in mezzo alla confusione, in mezzo a tutto, mia madre ha visto i suoi cugini. Ha avuto un triste momento di gioia e li ha salutati.

Quando finalmente toccò terra, si gettò esausta tra le braccia delle cugine, distribuendo figlie e bagagli, senza accorgersi del marito accanto a loro. Quando lo vide, si spaventò! Era magro, scuro, abbronzato e calvo, completamente calvo… Provò un misto di rabbia e pietà, quasi perdonandolo proprio lì. Ma no, c’era molto da chiarire, molto dolore da lavare via, molte ferite da guarire. Non era lì, in quel momento, che le cose si sarebbero dette e sputate. Ha rimuginato su di loro per 4 anni, avrebbe saputo il momento migliore per lanciarli in faccia a mio padre. Questo sembrava euforico e perso, non sapendo se stava abbracciando una figlia, baciando una valigia o portando l’altra figlia. Aveva il bisogno di parlare, di sentire, di vivere di nuovo e di essere se stesso. Cercò di controllarsi e apparire naturale che lo sguardo duro di sua moglie non gli permetteva. Mani toccate. E così è stato! Avrebbero avuto 65 anni davanti a loro per giungere a una conclusione, ma prima che nella pentola si bruciasse troppa salsa, troppi piatti si schiantassero contro i muri, troppi errori sarebbero ripetuti e troppo perdono sarebbe stato concesso.

A singhiozzi raggiunsero il taxi, una Chevrolet del 1955 spaziosa e ragionevolmente comoda che ospitava cinque adulti, due bambini ei loro bagagli. Si sono lasciati alle spalle il trambusto del porto e si sono diretti verso Serra do Mar. Suonava molto familiare a mia madre, ricordando la scalata sulla montagna fino a Felitto, il suo paesino, ormai così lontano. Ma arrivando in cima, l’impressione è completamente cambiata con la vista del gigantesco altopiano di San Paolo, che terminava molto lontano all’estremità dell’orizzonte, unendosi al cielo. Ed è cambiato molto di più, mentre si avvicinavano a San Paolo, a causa delle dimensioni incomprensibili, del traffico intenso, del fumo delle macchine e dell’aria calda, assurdamente calda. Ha chiacchierato per tutto il tragitto, distribuendo notizie e ricordi di tutti quelli che l’avevano raccomandata, evitando così un colloquio più diretto con il marito. Mia sorella Rachele dormiva come un angelo, mentre la piccola Grazia era profondamente irritata da questo strano uomo, che la teneva tra le braccia e insisteva per chiamarla sua figlia.

La macchina li ha lasciati in Rua do Oratório, a casa dei miei zii Antonio e Rosa. Le ragazze si sono unite alle cugine, Carmine e Nena, mentre gli adulti si sono occupati di questioni pratiche, urgenti e necessarie. La casa era piccola e ospitare due famiglie avrebbe richiesto un po’ di ingegneria e molta buona volontà. La notte scese velocissima e si sparpagliarono come meglio potevano, tutti certi che sarebbe stato solo per poco tempo. La situazione era comoda per mia madre, perché così non c’era spazio per una conversazione tra i due.

Vi rimasero 12 giorni, abusando della paziente gentilezza dei loro ospiti, finché, in una soluzione piuttosto disperata, si diressero verso la lontana Lapa, lontana da tutto e da tutti. La piccola casa non ammobiliata era un accordo improvvisato tra mio padre e un cliente. Aveva un letto di fortuna per la coppia e un materasso di assi per le ragazze. C’era un tavolo traballante, due sedie e due sgabelli, un lavandino, e basta. Non aveva fornelli. Erano arrivati ​​dall’Italia il 7 dicembre 1955, era già il 20 e mancavano pochi giorni al Natale. Mio padre partiva per lavoro all’alba, tornava di notte. Senza parlare una parola di portoghese, riusciva come meglio poteva a sfamare le sue figlie, ma se negli ultimi anni aveva temuto le difficoltà che il nuovo mondo avrebbe portato, ora le soffriva profondamente nelle ossa. A prima vista, le infinite spiegazioni, le scuse giustificazioni e le promesse di una vita totalmente dedicata a lei e alle figlie del marito erano quasi accettabili.

Il 24 dicembre, sola e desolata, venne a trovarla mia zia Rosa con i due bambini e la sua pancia già voluminosa, portando con sé il mio futuro cugino Claudio. Ha portato del cibo e della speranza. Ai restanti formaggi e farina del viaggio aggiunsero olio e riso, improvvisarono un barattolo di latta e carbone come fornello e prepararono un pranzo di Natale in una calda notte d’estate, completamente diversa da quelle fredde della loro terra. Arrivò mio padre accompagnato da mio zio Antonio e, sorpresi, andarono a bere birra e bibite. Si sentivano tutti tranquilli e dormivano in quella casa con la certezza che i miei genitori, al più presto, avrebbero trovato un posto dove vivere a Mooca. Pochi mesi dopo, trovarono una camera da letto e una cucina in un cortile sulla stessa Rua do Oratório, vicino a mia zia e mio zio. Rimasero lì fino al 1957, quando si trasferirono in Rua Guaimbé, in Avenida Paes de Barros.

Faustina finalmente ha ceduto al fascino di Pasqualino! Naturalmente, questi incantesimi erano accompagnati da molto rispetto paziente, buon comportamento e atteggiamenti di un padre esemplare. Lei lo accolse tra le sue braccia e, guardandosi profondamente negli occhi, poterono vedere le loro essenze, sentire di nuovo i suoni della loro terra, i profumi ei sapori, con passione.

In quello stesso anno, il 1957, avvenne un comune miracolo, di quelli che cambiano per sempre le sorti dell’umanità. Dio (e uso questa parola qui solo come riferimento, poiché ha un significato diverso per ognuno), il Creatore, la Creazione stessa, quella potente Energia, quella Forza infinita, l’Inspiegabile, che tu ci creda o no, lo adori o dubitatene, il Tutto o il Niente, ancora una volta Dio ha deciso che era tempo di visitare gli uomini, camminare in mezzo a loro, incarnarsi, vedere e sentire, sentire sete e fame, freddo e caldo, dolore e amore per capirli. È venuto in forma umana, senza memoria di sé, senza poteri speciali, solo uno sguardo profondo e una lucidità, di azione e di risultato, cristallina, per ricondurli alla Pace dei loro cuori.

E il 27 aprile 1958 sono nato.

CaMaSa

Capitolo 5: Le acque rotoleranno…

Durante il viaggio in nave verso il Brasile, mio ​​padre conobbe molte persone, provenienti da varie parti del mondo, venute a provare la vita in Sud America. Erano per lo più italiani e spagnoli, ma si potevano trovare anche portoghesi, tedeschi, turchi, greci e russi. Una moderna babele di 15 giorni, dove per alcuni giorni ha regnato uno spirito di cameratismo e collaborazione, imposto dalle condizioni della traversata e dall’impossibilità di sfuggire alla nave in alto mare. Quindi furfanti, di qualsiasi lingua, mantenuti entro i confini della legge di bordo. Gli innocenti, tesi e preoccupati all’inizio, si sono rilassati col passare del tempo e gli splendidi paesaggi hanno sfilato nelle sfumature del profondo blu dell’oceano e del cielo blu infinito.

C’era una specie di pasto per gli strati inferiori dei passeggeri, integrato da ciò che ciascuno portava dalla propria terra nel proprio bagaglio. Erano gli ultimi sapori di un tempo lasciato alle spalle. C’erano anche feste e cene di lusso e abbondanza ai piani superiori, dove i passeggeri facoltosi si divertivano alla presenza del capitano della nave e del suo equipaggio, ma erano separati dagli altri da catene e da guardie ben addestrate.

Tra i compagni di viaggio, mio ​​padre fece amicizia con un loquace siciliano, forte e tarchiato, con i capelli divisi in mezzo, tenuti fermi da una brillante gomma profumata di agrumi. Si chiamava Giuseppe Dalmonti, e la sua abilità con le parole era simile alla sua performance in bicicletta. Aveva fatto più volte il percorso attuale, facendo sempre affari a lui vantaggiosi. Questa volta aveva con sé una bicicletta luccicante, di cui mio padre si è subito innamorato. Tra un viavai e l’altro in coperta, il siciliano prese dalla tasca gli attrezzi più preziosi di mio padre, due camicie, un paio di calze e l’ultimo spicciolo. Gli ultimi sono rimasti anche con l’autista della Ford 46, che ha portato la byke su per la montagna!

Mio padre alloggiava in una pensione in Rua Pamplona, ​​molto vicino all’Avenida Paulista, che a quel tempo, nel 1951, era occupata da bei palazzi. Era un paesaggio bucolico, così pacifico da sembrare quasi rurale, ma era sull’orlo di un vigoroso salto di sviluppo, capace di catapultare la città al rango di città più grande del Sud America in pochi decenni. Una pietra miliare è stata la demolizione del bellissimo Belvedere, per far posto alla costruzione del MASP, il Museo d’Arte di San Paolo, e delle sue linee moderne e ardite, frutto della mente rivoluzionaria e creativa di un’oriundi, Lina Bo Bardi.

Tra gli italiani che hanno approfittato di questa impennata evolutiva c’era Sabbato Minella, mentore e maestro del mestiere di mio padre in patria. La sua falegnameria si trovava nella stessa Pamplona e ha approfittato della vicinanza al MASP per assumere diversi servizi di falegnameria. Le lettere che inviava ad amici e parenti in Italia incoraggiavano molti paesani, che venivano qui con la certezza di trovare un lavoro garantito. Di temperamento forte e autoritario, pretendeva il massimo dai suoi subordinati, dai primi raggi di sole fino al calar della notte, dal lunedì al sabato. Restavano la domenica e le gite in bicicletta lungo il Trianon, dove i più giovani si esercitavano a trottare tra i vicoli del parco. Ma era piccola, e presto ne sarebbe stata inaugurata un’altra molto più grande, adatta alla grandezza della città. Il Parco Ibirapuera, con i suoi imponenti 158 ettari, sarebbe stato inaugurato nel 1954, ma valeva la pena visitarlo durante il periodo di costruzione.

In quello stesso 1954 arrivò in Brasile mio zio Antônio, pittore, incoraggiato dal fratello. Si stabilì nel quartiere Mooca, più precisamente in Rua do Oratório. Circa 8 mesi dopo, la sua bella Rosina, mia zia Rosa, ha fatto il viaggio qui, con miei cugini Cármine e Antonieta. In quel viaggio c’erano anche i genitori ei fratelli di mia zia, che continuarono il loro viaggio verso sud, diretti a Buenos Aires, in Argentina. Abbracci lunghi e stretti separavano mia zia dagli suoi, che doveva scendere da sola le scale della navata, con i suoi due figli. Nel porto di Santos, vedere i suoi parenti partire con la nave gli è costato alcuni anni di vita e di salute. Si è sentita impotente per qualche istante e si è calmata solo quando è stata abbracciata da mio zio. Sfoggiava ancora i capelli ben pettinati all’indietro ei baffi sottili, alla Vincent Price.

Erano il rifugio sicuro di mio padre, lo tenevano lontano dai problemi e dai pericoli di un paese sempre più cosmopolita, disposto a far parte dei progressi e della modernità del dopoguerra. Ma erano lontani, a Mooca, e lui aveva un mondo da conquistare, dallo sperone di Paulista fino al Jardim Europa, dove risiedevano potere e ricchezza. Oltre alle ragazze più belle, con abiti colorati, capelli dal taglio moderno e sigaretta in una mano e bicchiere nell’altra, sedute allegramente nei bar che si estendono lungo i marciapiedi della regione. Ha iniziato a fumare! Poi bere. Divertendosi, come se non avesse impegni e responsabilità, come uno spaesato al mondo, senza famiglia. Come cantava la canzone di Carnevale dell’epoca:

Le acque rotoleranno
Bottiglia piena che non voglio vedere a sinistra
Faccio scorrere la mia mano attraverso il cavatappi, cavatappi,
E bevo fino ad annegare
Le acque rotoleranno…

A mio zio non piaceva quello che vedeva e cercava sempre di consigliare suo fratello. Nonostante fosse più giovane, era più consapevole, sapeva bere e conosceva i propri limiti. Oltre ad essere vegliato da mia zia che, nonostante fosse piccola, era molto energica. Litigavano anche, come litigano i fratelli di fronte ai rischi imminenti a cui è soggetto l’uno o l’altro, ma il vuoto che viveva mio padre in quei giorni non poteva riempirsi solo di consigli e di lavoro. Così, tra le tante passeggiate e carnevali, conobbe diverse ragazze, una di queste Bernarda, che era la compagna di una ricca signora di Jardins. Quello che per lui era un hobby, divenne serio per la ragazza che, illusa, se ne innamorò perdutamente, sognando di sposarsi. Ha anche cercato il parroco della chiesa di São José Operário, per un consiglio e per chiedere informazioni sulle date disponibili per una cerimonia. Il parroco, amico di famiglia, fedele e assiduo collaboratore della santa chiesa, si rivolse alla matriarca per spiegare la situazione e collaborare a quanto fosse necessario. Gli ha chiesto di conoscere in qualche modo il reale stato civile del ragazzo in Italia, con conseguenze molto drammatiche.

Niente che non le avesse già chiarito. Non voleva impegno, solo amicizia e compagnia. Il Carnevale del 1955 si avvicinava e lui aveva altri progetti…

CaMaSa

Capitolo 4: Il bacio rubato

L’atmosfera era tesa e pesante. Erano presenti mio nonno Giovanni, la sorella di mia madre, zia Onorina, e suo marito, Antonio Rizzo, che lavorava in Germania. Mia nonna Grazia piangeva e singhiozzava forte in un angolo della stanza, sorretta dalla sorella maggiore di mio padre, zia Veneranda. Seduto, a ruminare pensieri e parole sconnesse c’era mio nonno paterno Cármine, affiancato dalle sue figlie, Élida e Anna. Vincenzo, il più giovane dei fratelli di mio padre, era in Venezuela a lavorare come muratore. Antônio era in Brasile, ma da lì non si avevano notizie da molto tempo! Padre Benedetto era già lontano, aveva compiuto la sua missione.

Mia madre era appoggiata allo stipite della porta in cima alle scale, con un’aria smarrita e lontana. Sui gradini, giocando innocentemente, c’erano le mie sorelle, Rachele e Grazia. La conversazione tra i due ha attirato l’attenzione di mia madre, che per un attimo l’ha portata via, vedendosi bambina e spensierata. Guardava con affetto le sue figlie, come se fosse una di loro.

Rachel era carina, calma e rilassata. Aveva i capelli lisci e scuri, le guance rosee. Non sapeva se avevano quel tono naturale o se erano il risultato dei pizzicotti affettuosi che tutti si impegnavano a darle. Mia sorella accettava queste manifestazioni sempre rassegnata, incapace di emettere un pigolio. Dove era posta, rimaneva, concentrata su se stessa o su qualsiasi attività manuale che le capitasse tra le mani. A quel tempo, con 4 o 5 anni, ero già abile nell’uncinetto.

La piccola Grazia, magrissima e bionda, è stata un terremoto! Agile, saltellante, irrequieta, era l’esatto opposto di sua sorella. Aveva sempre bisogno di due paia di occhi su di lei, giorno e notte. È nata senza la presenza di suo padre, non che questo avrebbe fatto una grande differenza, ma ha finito per creare un rapporto paterno con mio nonno Giovanni, che era un uomo raffinato e sensibile, dai modi pacati. Con lui mia sorella si è calmata, si è sforzata di capirlo ed è riuscita ad imparare le prime lettere ei primi numeri, così difficili da assimilare nella scuola delle suore. Viveva malizia, rovesciando lattine, rovesciando il cibo sulla tavola, calpestando i fiori in giardino, scavalcando il mucchio di vestiti bianchi, lavati e stirati, e facendoli cadere per terra. Non era cattiva. Aveva ereditato dal padre un genio malizioso e irrequieto.

Il padre delle tue ragazze… Ricordava il giorno del matrimonio. La cerimonia in chiesa condotta da padre Benedetto, in latino. Il coro, prima cantando una musica sacra pomposa, poi terminando con una melodia leggera, morbida, persino allegra. Il suo sì imbarazzato, espulso da un colpetto nella pancia. Risate in chiesa. L’imbarazzo di voltare le spalle all’altare, percorrere la navata centrale, sorridere alla gente. Le grida di esaltazione alla porta e il corteo che segue gli sposi fino alla piazza centrale, dove ad attendere gli sposi e gli invitati ci sono tavoli improvvisati con il meglio che la bontà del loro cuore vi ha depositato. C’era anche la musica, le belle canzoni napoletane che risollevavano gli animi nonostante i tempi difficili.

Mamma pensò e valutò le sue opzioni. Erano passati 4 anni da quando lei e papa si erano svegliati quella mattina con la decisione presa, la valigia piccola e logora piena, con qualche capo di abbigliamento, una mezza dozzina di piccoli attrezzi, un po’ di formaggio, un po’ di grano, un po’ di dolore e un po’ di speranza. Nulla era certo, come i voti d’amore giovanili, ardenti, volatili, insicuri.

All’interno della casa la temperatura saliva e scendeva mentre mia nonna piangeva e imprecava, incolpando il cielo e la sfortuna. Raggiungerebbe un altissimo picco di dolore e sofferenza e crollerebbe subito dopo, in uno stato di catatonia. Nonno Giovanni si lamentava in silenzio, sapendo di non poter prendere una decisione per sua figlia. Ciascuno deve portare la propria croce. Gli altri mormorarono sommessamente, prepararono il caffè e attesero una soluzione che, qualunque essa fosse, nessuno avrebbe voluto affrontare.

La piccola Grazia saltò sopra la sorellina seduta sul gradino, cadendo addosso alla madre che li osservava da un volo in alto. Prese in braccio la bambina, la quale, con le sue manine sul viso della madre, disse: – Mamma, non piange…

Che dolore! Che ira! Se fosse rimasta, a 23 anni, la sua vita sarebbe stata segnata per sempre nel suo piccolo paese, come le vedove di guerra che non ricevevano i corpi dei loro mariti per seppellire il passato e iniziare una nuova fase della vita. Avrebbe vissuto con l’ombra di un ritorno, isolata, esclusa, come chi soffre di una malattia contagiosa. Se partisse, probabilmente lascerebbe il suo mondo, i suoi parenti, il suo cuore, la sua vita. Avrebbe affrontato la distanza, una terra straniera, che non parlava la sua lingua e non capiva la sua sofferenza, il dolore della separazione. Se rimanessi, le ragazze non avrebbero un padre. Se me ne andassi non avrebbero nonni, zii e zie, cugini e tutti quelli che li hanno amati come fossero propri.

All’epoca, per mantenere le figlie, oltre a lavorare nei campi, seminare, raccogliere, curare gli animali, lavorare in casa, cucire fuori, aiutare la sorella, aveva trovato lavoro per il governo, portando pietre addosso dirigersi verso i lavori di ricostruzione delle strade cittadine. Non avrebbe mai immaginato che questo lavoro di 6 mesi le avrebbe fatto guadagnare una pensione più avanti nella vita, pagata dal governo italiano, più di quanto il governo brasiliano avrebbe pagato per 35 anni di lavoro.

Nel soggiorno, tra le urla e gli ululati strazianti, si discuteva già di documenti, biglietti, valori, preparativi, logistica dei trasporti. Comunicazione con i parenti ivi stabiliti, possibilità di alloggio, rientro o meno. Come quando muore qualcuno ma la vita si impone e va avanti, c’erano voci pratiche e lucide, che cercavano di valutare la situazione dai pro e contro per la madre, le figlie, le più vicine che sarebbero rimaste qui, le perdite e i guadagni. Ci sono stati momenti di accusa, di puntare il dito verso i responsabili di tutto, di quello e del futuro. E, tra le urla, abbracci di scuse, di conforto, di conformazione.

Mia madre ha guardato negli occhi la sua bambina in braccia, nel profondo, e ricordó suo marito, quando uscivano insieme, guardarla, su quella stessa scala, in un modo così intenso e strano, così diverso e urgente. Lui parlava degli suoi sogni e desideri, nella penombra dell’inizio di una calda notte, mentre si avvicinava lentamente, con la bocca parlante e danzante. E poi molto velocemente, alla velocità della luce, la baciò ardentemente. Lo spinse forte, si voltò e corse su per le scale, sbattendo la porta dietro di sé, il cuore che le batteva forte per la vergogna e il piacere. Non ha parlato con mio padre per 3 mesi, ma quel momento ha definito chi era lui, chi era lei.

Improvvisamente, si è svegliata dai suoi sogni ad occhi aperti, è entrata nell saloto e di fronte a tutti quelli che la guardavano attentamente ha detto: – Ho già deciso. Vado in Brasile.

CaMaSa